sábado, 16 de agosto de 2014

Casos de meningite transmitida por caramujo se espalham pelo país


Caramujo Gigante Africano
Casos de meningite transmitida por caramujo se espalham pelo país

Uma nova forma de meningite está se espalhando pelo Brasil nos últimos anos. Transmitida principalmente por moluscos, incluindo o caramujo gigante africano, a infecção é causada pelo verme Angiostrongylus cantonensis. Chamada de meningite eosinofílica ou angiostrongilíase cerebral, ela já foi diagnosticada em seis estados, nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul do país.
Originário da Ásia, o A. cantonensis foi associado a um caso de meningite pela primeira vez no território brasileiro em 2006. Desde então, foram confirmados 34 casos da infecção em pacientes de Pernambuco, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, com um óbito.
 

Ratazana de Esgoto

Caramujo africano é o vetor mais frequente

No Brasil, a disseminação do parasito é favorecida pelo grande número de moluscos, em especial da espécie Achatina fulica – o chamado caramujo gigante africano, que se tornou uma praga no país. Assim como os ratos, os moluscos fazem parte do ciclo de vida do verme. As formas adultas do A. cantonensis são encontradas nos roedores: é neles que os vermes se reproduzem, garantindo sua continuidade. Eliminadas nas fezes destes animais, as larvas do parasito são ingeridas pelos caramujos. Dentro dos moluscos as larvas vão crescer, atingindo a fase em que se tornam capazes de infectar animais vertebrados. “O ciclo se fecha quando os ratos comem os moluscos infectados. Porém, as pessoas também podem ser infectadas se ingerirem os caramujos ou a baba (muco) liberada por eles, contendo as larvas do parasito”, explica a pesquisadora Silvana Thiengo, uma das autoras do artigo recém-publicado. A bióloga é chefe do Laboratório de Malacologia do IOC, que atua como referência nacional em malacologia médica junto ao Ministério da Saúde.
A pesquisadora destaca que o verme infecta diversos tipos de moluscos, incluindo algumas espécies nativas do Brasil. Todas elas podem propagar a doença, mas o caramujo gigante africano tem sido o vetor mais frequente. “O Achatina é um excelente transmissor da infecção. Capaz de se alimentar de diversos tipos de plantas ornamentais, verduras e frutas, ele é encontrado em áreas urbanas e rurais e fica muito próximo das pessoas. O contato frequente da população com o molusco facilita a transmissão”, avalia Silvana.

Medidas de prevenção
Catar os caramujos é a principal medida recomendada para eliminá-los. Segundo Silvana, os próprios moradores podem fazer a limpeza de quintais e hortas infestados, adotando medidas de precaução. “Evitar o contato dos moluscos com as mãos é fundamental. Na ausência de luvas, deve-se usar um saco plástico para proteger a pele”, indica a bióloga, acrescentando que é importante recolher também os ovos, que costumam ficar semienterrados. Os animais e ovos recolhidos devem ser colocados em um recipiente, como balde ou bacia, e submersos em solução preparada com uma parte de hipoclorito de sódio (água sanitária) para três de água. Após 24 horas de imersão, a solução pode ser dispensada e as conchas devem ser colocadas em um saco plástico e descartadas no lixo comum. A lavagem das mãos após os procedimentos é fundamental, podendo ser realizada com sabão comum. A água sanitária também deve ser utilizada para higienizar verduras, legumes e frutas, mas em uma concentração muito menor do que a usada para matar os caramujos: a orientação é colocar uma colher de sopa do produto em um litro de água e deixar os alimentos de molho por 30 minutos antes do consumo.

Sintomas, diagnóstico e tratamento
A meningite causada por A. cantonensis começa com a ingestão do caramujo ou de muco do molusco infectado. Uma vez ingeridas, as larvas do verme migram para o sistema nervoso central e se alojam nas meninges – membranas que envolvem o cérebro. O organismo inicia uma reação inflamatória, que resulta no quadro de meningite. Geralmente, a doença é autolimitada, pois os parasitos não conseguem se reproduzir no ser humano e morrem naturalmente. No entanto, alguns pacientes desenvolvem formas graves e o índice de mortes é de 3%. O atraso no diagnóstico é um dos fatores que contribuem para o agravamento do quadro: cada dia de dor de cabeça prolongada aumenta em 26% as chances de coma. Segundo Carlos Graeff-Teixeira, a dor de cabeça causada pela meningite eosinofílica é tão intensa que costuma levar os doentes a procurar os serviços de atendimento de emergência. Em muitos casos, os pacientes apresentam também rigidez da nuca e febre. Os sintomas são os mesmos de outras formas de meningite, causadas por vírus e bactérias. Por isso, o diagnóstico correto da doença depende de resultados laboratoriais – um passo a passo é apresentado no artigo publicado na revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz. 
 

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